Código: 7260 Data Inscrição:04/05/2010
Tipo: Mesa Redonda
Coordenador: JACQUELINE DE OLIVEIRA MOREIRA
Instituição: PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS
Financiador: Sem Financiador-

Título:
ALTERIDADE EM TEMPOS MODERNOS: DESAFIO PARA O SABER PSICOLÓGICO
Resumo Geral:

Resumo: Esta mesa tem por objetivo refletir sobre as possibilidades e os entraves no que se refere ao encontro entre o eu e o outro no mundo contemporâneo. Acreditamos que o tema da alteridade é conceito nuclear nas abordagens acerca do humano e de seus destinos singulares e sociais, e cabe à Psicologia a tarefa de enfrentar essa questão para avançar na construção de referenciais éticos, democráticos e participativos no seio de nossa sociedade. Assim, o primeiro texto pretende construir bases conceituais para se pensar o problema da alteridade. O segundo texto, por sua vez, busca, por meio de uma vinheta prática colhida no Programa Controle de Homicídios – Fica Vivo! da Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais, apresentar uma intervenção psicológica que acolhe a temática da alteridade. Por fim, o último trabalho pretende discutir o tema da responsabilização subjetiva na hipermodernidade, momento histórico orientado pelo consumo, buscando compreender como se situa, nesse contexto, a questão da alteridade. Todos os trabalhos buscam um diálogo interdisciplinar entre teorias sociológicas e psicológicas com especial atenção á psicanálise freudiana.

Conteúdo:

Não possui


Resumo do autor / co-autor: PRISCILA SOUZA VICENTE PENNA / JACQUELINE DE OLIVEIRA MOREIRA

O ESTATUTO DA RELAÇÃO SUJEITO-OUTRO – UMA DISCUSSÃO ACERCA DA ALTERIDADE A PARTIR DO MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO DE FREUD

Este texto tem a finalidade de discutir a constituição do sujeito e do coletivo a partir do tema da alteridade. A temática em discussão tem como ponto de partida eleito a obra freudiana O Mal-estar na civilização (1930/1974) em cujo seio de análise encontram-se postuladas três fontes de sofrimento humano, a saber, o próprio corpo, o mundo externo e o relacionamento entre os homens. Este estudo debruça-se sobre a análise desta terceira fonte de sofrimento e sua conexão com a questão da alteridade. Inicialmente, discutimos o conceito de alteridade tendo como referencial teórico a filosofia de Lévinas. No momento ulterior a tônica do texto desloca-se para a leitura freudiana sobre a gênese da cultura e da civilização. A relação entre os homens, avaliada por Freud como uma das causas do sofrimento, é também nesta obra apontada como um elemento decisivo no que diz respeito à constituição da civilização. Esta vem justamente regular as relações sociais, o que do contrário resultaria no caos, implicaria a superação do mais forte, o qual responderia arbitrariamente aos seus impulsos e instintos, em detrimento do mais fraco. Desta forma, um passo terminante da civilização é concernente à substituição do poder do indivíduo pelo poder de uma comunidade. Concluímos que a alteridade constitui conceito nuclear nas abordagens acerca do humano e de seus destinos singulares e sociais, e cabe à Psicologia a tarefa de enfrentar a questão da alteridade para tão somente falar sobre construção de referenciais éticos, democráticos e participativos no seio de nossa sociedade.


Resumo do autor: ALESSANDRO PEREIRA DOS SANTOS

NOVOS TEMPOS, NOVAS CONEXÕES: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE AS FORMAS DE ENLAÇAMENTO DE JOVENS ENVOLVIDOS COM A CRIMINALIDADE.

A presente comunicação tem como intuito investigar as formas de laço social estabelecido por jovens com envolvimento com a criminalidade. Para tal, reportaremos a uma vinheta prática, estabelecida no Programa Controle de Homicídios – Fica Vivo! da Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais. No país, a violência tem simultaneamente os jovens como autores e vítimas, em um cenário por segregação, desigualdade e precariedade simbólica, onde a vida e morte se tornaram parte do cotidiano, estabelecendo verdadeiros territórios de guerra. Uma questão se coloca: como construir práticas capazes de instaurar espaços onde a palavra possa substituir o ato violento promovendo o reposicionamento de jovens envolvidos com a criminalidade? Concluímos que uma prática orienta pela psicanálise e que busca criar espaços de subjetivação e retificação, pode permitir aos jovens envolvidos com a criminalidade instaurar novas formas de enlaçamentos que apontam para a vida e para a liberdade.


Resumo do autor: ADRIANE DE FREITAS BARROSO

HIPERCONSUMO: HÁ RESPONSABILIZAÇÃO SUBJETIVA POSSÍVEL?

A hipermodernidade, uma das nomeações possíveis para o momento histórico presente, alçou o consumo à condição de centro gravitacional em torno do qual os indivíduos se dispõem, se constroem e se organizam. Assistimos, paralelamente, o enfraquecimento de tradições, crenças, valores e lugares pré-fixados, pondo em primeiro plano a liberdade individual. Nessa realidade, a coletividade deixa de ser referência estável para se tornar entrave, empecilho à realização de ambições e interesses particulares. Além disso, a ausência de mediação simbólica transforma a convivência em tárefa árdua, fazendo do medo e da violência elementos cada vez mais comuns nas relações humanas. A falência de soluções estagnadas e simplistas em face a esse panorama abre uma fenda para que a questão da alteridade seja discutida a partir da noção de responsabilização subjetiva, propondo caminhos éticos para o encontro entre eu e outro..